Rendas no 2.º trimestre de 2026: o que dizem os números do INE
O INE publicou a 29 de setembro os valores do 2.º trimestre de 2026: a renda mediana dos novos contratos de arrendamento no Continente foi de 10,17 €/m², mais 9,8 % do que no mesmo trimestre de 2025. É um número sobre contratos novos. Quem já tem contrato em curso tem outra conta, e quem procura casa tem outra pergunta. Aqui ficam as três, com as duas partes em pé de igualdade: arrendar é um acordo, e os números ajudam a conversar.
Continente, 2.º trimestre de 2026: 10,17 €/m² (9,26 €/m² no 2.º trimestre de 2025). São rendas assinadas em contratos novos. Não é o aumento da renda de quem já arrenda: para esses contratos, o coeficiente de 2027 é 1,0256.
O que o INE mede (e o que não mede)
O INE calcula a mediana das rendas por m² dos novos contratos de arrendamento comunicados à Autoridade Tributária. São rendas assinadas, não preços de anúncio, e metade dos contratos ficou acima e metade abaixo. Não mede a renda de quem já tinha contrato antes.
- Compara-se com o mesmo trimestre do ano anterior. O 2.º trimestre costuma ser mais alto do que o 1.º: em 2025 a subida de um para o outro foi de 6,4 % e em 2026 de 7,5 %. Por isso 10,17 contra 9,46 não é uma tendência; 10,17 contra 9,26 do ano passado é a comparação certa.
- Só há trimestre para alguns sítios. O INE publica-o para as sub-regiões e para os municípios com mais de 100 000 habitantes (24 concelhos). Nos outros concelhos e nas freguesias há só o valor anual.
- A série foi revista. A 29 de setembro o INE corrigiu valores de 2020 a 2026 em algumas sub-regiões. Números noticiados antes disso podem diferir ligeiramente dos que aqui estão.
Os 24 concelhos com valor trimestral
De Barcelos (+2,0 %) a Guimarães (+20,7 %); a mediana destes 24 concelhos é +6,5 %. Uma variação grande num só trimestre pode refletir poucos contratos: vê a tendência na página de cada concelho, com o gráfico desde 2020.
| Concelho | T2 2026 (€/m²) | T2 2025 (€/m²) | Variação |
|---|---|---|---|
| Lisboa | 17,79 | 16,93 | +5,1 % |
| Cascais | 17,50 | 16,02 | +9,2 % |
| Oeiras | 16,12 | 15,06 | +7,0 % |
| Porto | 14,66 | 13,90 | +5,5 % |
| Funchal | 14,49 | 12,38 | +17,0 % |
| Amadora | 14,03 | 12,72 | +10,3 % |
| Almada | 14,03 | 13,09 | +7,2 % |
| Odivelas | 13,17 | 12,51 | +5,3 % |
| Loures | 13,03 | 11,22 | +16,1 % |
| Matosinhos | 12,80 | 12,28 | +4,2 % |
| Seixal | 11,76 | 11,09 | +6,0 % |
| Setúbal | 11,69 | 11,06 | +5,7 % |
| Sintra | 11,63 | 10,97 | +6,0 % |
| Vila Franca de Xira | 11,39 | 10,32 | +10,4 % |
| Vila Nova de Gaia | 11,11 | 10,69 | +3,9 % |
| Maia | 10,04 | 9,48 | +5,9 % |
| Coimbra | 9,77 | 9,26 | +5,5 % |
| Gondomar | 9,23 | 8,53 | +8,2 % |
| Braga | 9,05 | 8,33 | +8,6 % |
| Leiria | 8,26 | 7,80 | +5,9 % |
| Guimarães | 7,87 | 6,52 | +20,7 % |
| Vila Nova de Famalicão | 7,58 | 6,96 | +8,9 % |
| Santa Maria da Feira | 7,03 | 6,43 | +9,3 % |
| Barcelos | 6,77 | 6,64 | +2,0 % |
Fonte: INE, Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local (indicador 0014706). Todos os concelhos e freguesias, com o valor anual, em /rendas.
Se já tens contrato em curso
O número de cima não é a tua renda nem o teto dela. Num contrato a decorrer, a renda atualiza-se, na falta de outra regra do contrato, pelo Código Civil, art. 1077.º, n.º 2, al. a) e pelo NRAU, art. 24.º: o coeficiente de 2027 é 1,0256 (Aviso n.º 24199/2026/2), ou seja, no máximo +2,56 %. Uma renda de 750 € pode passar, no máximo, a 769,20 €.
É um teto, não uma obrigação: atualizar é uma possibilidade do senhorio, e falar antes de enviar a carta costuma poupar trabalho aos dois. Se quiseres ver o cálculo e os prazos, tens o guia do coeficiente de 2027 e a calculadora de atualização.
Se vais arrendar ou procuras casa
Num contrato novo, a renda inicial é a que as partes acordam: vale a liberdade contratual (Código Civil, art. 405.º, n.º 1). Por isso o número do INE descreve o mercado, não fixa um valor a ninguém. Há uma exceção temporária que convém conhecer, de um e de outro lado: para casas que tiveram contrato de arrendamento nos cinco anos anteriores à entrada em vigor da Lei n.º 56/2023 (outubro de 2023), e cuja renda exceda os limites da Portaria n.º 176/2019 para a tipologia e o concelho, a renda inicial não pode ultrapassar a última renda praticada nessa casa multiplicada por 1,02, com os ajustes previstos no próprio artigo (Lei n.º 56/2023, art. 34.º). Esta regra produz efeitos até 31 de dezembro de 2029.
Uma ajuda prática é a taxa de esforço: que parte do rendimento vai para a renda (a ferramenta usa 30 % como referência de conforto, que não é regra legal). E a mediana da tua zona mostra o ponto de partida para a conversa.
Se vais pôr uma casa a arrendar
A mediana da zona é uma boa referência, não um preço: o estado da casa, o andar, a exposição e o mobiliário fazem cada casa ficar de um lado ou do outro. No RendaOK, a ficha do imóvel mostra a renda mediana do concelho (ou da freguesia, quando o INE a publica) ao lado da renda que pedes. Uma renda realista costuma encurtar o tempo em que a casa fica vazia.
FAQ
Qual é a renda mediana dos novos contratos em Portugal no 2.º trimestre de 2026?
Os 9,8 % são o aumento máximo da minha renda?
Porque é que o INE só mostra 24 concelhos por trimestre?
Já há dados do 3.º trimestre de 2026?
Há um limite à renda de um contrato novo?
Este artigo é informativo e reflete a informação disponível a 8 de outubro de 2026 (dados do INE extraídos a 8 de outubro; NRAU e Código Civil, versões consolidadas). Não substitui aconselhamento jurídico ou fiscal. Se o teu contrato tiver uma cláusula própria de atualização, vale essa.
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