EPBD 29 maio 2026 · 6 min de leitura

O que implica a Diretiva EPBD para senhorios com imóveis classe G em Portugal?

Se tens um imóvel classe G para arrendar, é natural que a Diretiva EPBD te preocupe. A boa notícia: a diretiva não proíbe arrendar casas de classe G. A realidade: os imóveis com pior desempenho são onde os países vão concentrar as medidas. Este guia explica o que a lei diz hoje e o plano concreto para melhorares o imóvel com tempo.

A Diretiva relativa ao desempenho energético dos edifícios (EPBD, na sigla inglesa) tem um objetivo simples de enunciar e exigente de cumprir: tornar o parque imobiliário europeu progressivamente mais eficiente. Para a habitação, fixa metas para o parque todo — o consumo médio de energia tem de descer pelo menos 16 % até 2030 face a 2020 — e manda que pelo menos 55 % dessa descida venha dos 43 % de edifícios residenciais com pior desempenho. Uma casa de classe G está, muito provavelmente, nesse grupo.

Base legal: Diretiva (UE) 2024/1275, art. 9.º, n.º 2 (EUR-Lex).

Para o senhorio com um imóvel classe G, a leitura é esta: não há uma proibição de arrendar, mas o imóvel está no grupo onde a política vai incidir. Não é altura de pânico, é altura de planear. Quem agir cedo melhora o imóvel ao seu ritmo, com apoios; quem deixar para o fim arrisca obras à pressa, se Portugal vier a adotar normas mínimas.

Porque classe G é diferente de classe F

A classe G é o degrau mais baixo da escala energética. É a que mais provavelmente será visada primeiro pelas medidas nacionais e a que exige o maior salto para melhorar. Se o teu imóvel é G, trata-o como prioridade — não como "depois vejo isso".

O que muda, em concreto, para um imóvel classe G

A Diretiva EPBD é europeia e tem de ser transposta para a lei portuguesa, que escolhe as medidas (apoios, assistência técnica e, se o decidir, normas mínimas). Enquanto isso, o teu imóvel G é afetado em três planos:

  • Prioridade nas medidas nacionais — apoios e eventuais normas mínimas vão incidir primeiro nos imóveis com pior desempenho. Confirma a legislação portuguesa em vigor.
  • Pressão de mercado — mesmo sem nenhuma lei nova, os inquilinos procuram cada vez mais imóveis eficientes (contas de energia mais baixas). Um G fica mais difícil de arrendar e por renda inferior.
  • Valorização — a classe energética passa a pesar no valor do imóvel. Um G desvaloriza face a um imóvel equivalente com melhor classe.

Para o que a diretiva fixa (e não fixa), as datas de 2030 e 2033 e o que já é obrigatório hoje, vê EPBD 2030: o que muda e o que não muda para os senhorios.

Passo 1 — Saber exatamente onde estás

Antes de qualquer obra, precisas do certificado energético atualizado. Ele diz-te a classe atual e, mais útil ainda, lista as medidas de melhoria recomendadas pelo perito, com estimativa de impacto. É o teu mapa.

Se não sabes como obter ou renovar o certificado, vê certificado energético — obrigatoriedade e custos.

Passo 2 — Identificar as medidas com melhor retorno

Subir de classe G não significa, necessariamente, uma reabilitação total. Muitas vezes, um conjunto de intervenções bem escolhidas dá um salto significativo:

Medida Impacto típico Investimento relativo
Janelas eficientes (vidro duplo/corte térmico)AltoMédio
Isolamento de cobertura/sótãoAltoBaixo a médio
Isolamento de paredes (ETICS)Muito altoAlto
Bomba de calor / AQS eficienteAltoMédio
Painéis solares / fotovoltaicoMédio a altoMédio

O perito energético ajuda-te a priorizar pela relação custo-eficácia — começar pelo que dá mais classe por euro investido.

As obras contam fiscalmente

As obras de valorização do imóvel (beneficiação) acrescem ao valor de aquisição e reduzem a mais-valia tributável quando vendes — não são despesa dedutível da renda anual. Já a conservação e o próprio certificado energético são dedutíveis na categoria F. Vê o que é dedutível no IRS categoria F.

Passo 3 — Procurar apoios antes de começar

Têm existido programas de apoio à eficiência energética (financiados, por exemplo, pelo PRR e por fundos ambientais) que comparticipam isolamento, janelas, painéis solares e bombas de calor. As janelas de candidatura abrem e fecham — por isso vale a pena confirmar o que está ativo antes de iniciar a obra, para não perderes comparticipação por uma questão de timing.

Não comeces a obra antes de confirmar o apoio

Muitos programas só comparticipam despesas posteriores à candidatura aprovada. Começar a obra antes pode excluir-te do apoio. Verifica sempre as regras do programa ativo.

Passo 4 — Calcular se compensa melhorar ou vender

Para alguns imóveis G, a decisão racional é melhorar e continuar a arrendar; para outros, pode ser vender antes de a classe pesar ainda mais no valor. A decisão depende do custo das obras, do apoio disponível, da renda que o imóvel gera e da valorização esperada. Faz as contas com números reais — o nosso guia de como calcular o yield do imóvel ajuda a comparar cenários.

Este artigo é informativo

As datas e regras concretas dependem da transposição da Diretiva EPBD para a lei portuguesa e dos programas de apoio em vigor a cada momento. Confirma a regulamentação atual e, para decisões de investimento, consulta um perito energético e um contabilista.

FAQ

O meu imóvel é G. Tenho de fazer obras já?
A diretiva europeia, por si, não te obriga a fazer obras nem proíbe arrendar um imóvel G. Mas os imóveis com pior desempenho são os mais visados pelas medidas nacionais. Agir cedo permite-te planear, candidatar a apoios e fazer obras ao teu ritmo.
Quanto preciso de subir? De G para que classe?
Não há, hoje, uma classe mínima fixada na lei para arrendar habitação. O objetivo prático é sair das classes de pior desempenho: o certificado energético lista as medidas que mais sobem a classe. Confirma se a legislação nacional entretanto fixou mínimos.
Posso passar o custo das obras para a renda?
As obras melhoram o imóvel e podem justificar um posicionamento de renda mais alto num novo contrato, dentro dos limites legais. Em contratos em vigor, a atualização segue o coeficiente de atualização anual — vê como aplicar a atualização de renda.
Vale a pena pedir um certificado novo depois das obras?
Sim. Depois das obras, um novo certificado reflete a classe melhorada — e isso é o que comprova, para arrendamento, venda e valor, que o imóvel já não é classe G.
Arquivo por imóvel

O certificado energético de cada imóvel, sempre à mão.

Guarda o certificado e as faturas das obras no arquivo de documentos da ficha do imóvel, com a data — prontos para o próximo inquilino, para o contabilista e para a venda.

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